domingo, 8 de novembro de 2009

Metrópolis

Foto: Rotwang explicando seu maligno plano envolvendo a andróide ao governante Joh Fredersen.

Metrópolis (título original Metropolis), dirigido por Fritz Lang, roteirizado por ele juntamente com sua esposa Thea von Harbou, é um filme mudo lançado em 1927, símbolo do cinema expressionalista alemão [1] e, na época, a mais cara produção cinematográfica alemã já feita, com efeitos revolucionários, incluindo, pelo que sei, o primeiro andróide dos cinemas.

Apesar de apreciar as produções mais antigas, não tenho o costume de assistir e nem conheço muitos trabalhos do cinema mudo, excetuando a obra de Charles Chaplin; Metrópolis, no entanto, é um dos filmes sci-fi que mais gosto, com uma bela produção e uma ótima história, apresentando um futuro distópico que enfoca os famosos temas da luta de classes e do totalitarismo, comuns na época, ao mesmo tempo que juntando elementos bíblicos. O enredo é ambientado em uma grande cidade futurista, em 2026, governada por um poderoso dirigente chamado Joh Fredersen, e com duas classes sociais bem heterogêneas: os ricos, saudáveis e privilegiados, que vivem uma vida de luxo, e os operários, que juntamente com suas famílias vivem e trabalham pesado com as máquinas que sustentam a cidade, nas galerias subterrâneas. Freder, filho do governante Joh Fredersen, conhece e apaixona-se por Maria, a humilde, jovem e bela líder dos miseráveis operários em um movimento pela reinvidicação dos seus direitos, profetizando que um escolhido, um mediador, apareceria para representá-los, cuja missão era resumida pela frase "o mediador entre o cérebro e os músculos deve ser o coração", apresentada ao longo do filme. Freder se sensibiliza com as condições ruins do trabalho semi-escravo dos operários, mostrando que na verdade ele é quem está destinado a ser este messias, e tenta convencer o seu pai deste sofrimento dos oprimidos. Joh Fredersen, por sua vez, se une ao maléfico cientista Rotwang para colocar em prática um plano que acabaria com este movimento, mas que no final das contas acaba levando à uma revolta geral que ameaça destruir toda a cidade.

O filme, recheado com cenários Art Déco, apresenta cenas memoráveis, como a visão de Freder na casa das máquinas, onde vê uma grande máquina se transformar em uma terrível imagem de Moloque, antiga divindade pagã que, semelhantemente como citado na Bíblia (1 Rs. 11:7, 2 Rs. 23:10, Jr. 32:35), consome a vida dos trabalhadores da cidade com suas chamas; a reunião dos operários nas catacumbas da cidade, onde escutam as palavras da bela "profetisa" Maria; as cenas com Rotwang e sua andróide (Maschinenmensch), que substitui Maria como sua duplicada maligna, originando uma verdadeira Jezabel que leva todos a sua volta à ruína, envenenando e embriagando suas mentes e corações; a revolta dos trabalhadores e a quase destruição da cidade; entre outras.

Metrópolis é uma ótima ficção-científica-social, com várias alusões bíblicas, e que infelizmente se perdeu com o tempo. Explico-me: na época de seu lançamento, por razões econômicas, os distribuidores decidiram encurtar o filme, simplificando o enredo, e por conta disso a versão original com 210 minutos simplesmente se perdeu. Até o presente momento, a melhor versão lançada no Brasil é uma edição especial restaurada de 124 minutos, que pode ser adquirida aqui.

Contudo, e graças a Deus, isto está mudando. Em 2008 foi descoberto no Museo del Cine em Buenos Aires uma cópia mais longa do filme que, após submetida a análises por especialistas, foi confirmada como o original de Fritz Lang; mais detalhes sobre este achado podem ser vistos neste link. Desde então, fiquei na expectativa pela restauração das cenas e lançamento da versão original do filme que lança um novo olhar na estrutura da narrativa, conforme alguns afirmam. E finalmente, no final do mês passado, foi divulgada a notícia de que a versão original será apresentada no festival de cinema de Berlim, a Berlinale, em 12 de Fevereiro de 2010, ao mesmo tempo em que também será apresentado no Alte Oper de Frankfurt am Main, onde a música do filme será executada pela Staatsorchester Braunschweig.

Penso que brevemente esta versão original deste grande clássico da história do cinema será lançada em DVD e Blu-ray, e mal posso esperar por isso. Enquanto este dia não chega, vou matando a vontande assistindo a versão que tenho. Confesso que também gostaria de que, em virtude disso, a DC Comics relançasse o conto elseworld Superman's Metropolis, a primeira parte de uma trilogia em quadrinhos sobre o Expressionismo Alemão e que mostra a história do Homem de Aço conforme a história do clássico de Fritz Lang. Afinal de contas, se o mais difícil aconteceu, porque não também isso, que é relativamente muito mais fácil? :)

[1] Não que eu entenda sobre o movimento do Expressionismo Alemão, mas a obra é classificada assim.

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