domingo, 4 de dezembro de 2011

Comparando o iPad e o Kindle Fire

A revista Wired destaca em sua capa da edição de Dezembro uma entrevista exclusiva com Jeff Bezos, chefão da Amazon.com, entitulada CEO da Internet e que pode ser acessada na íntegra através deste link; uma ótima oportunidade para quem quiser conhecer um pouco mais da visão e filosofia desta famosa empresa da Internet [1]. No início da matéria, o entrevistador Steve Levy traça uma interessante análise das diferenças de filosofia por trás do iPad e do Kindle Fire, dizendo:

Enquanto que os usuários do iPad e do Fire vão se ocupar em muitas das mesmas atividades - assistir filmes, ler livros, jogar Angry Birds [2] - a filosofia por trás dos dois tablets não podia ser mais diferente. A Apple é fundamentalmente uma companhia de hardware - 91% de sua receita vem das vendas de seus cobiçados aparelhos, comparado com apenas 6% do iTunes. O design do iPad, seu marketing e os lançamentos do produto, tudo enfatiza a característica especial do dispositivo em si, que a companhia vê como um sucessor do PC - completo com capacidades de video-chat e software de processamento de textos. A Amazon, por outro lado, é uma companhia focada em conteúdo - quase metade de sua receita vem das vendas de mídia como livros, músicas, programas de TV, e filmes - e o Fire, com preço promocional, foi projetado para ser primariamente um passaporte à imensa quantidade de conteúdo disponível digitalmente. O gadget vem pré-carregado com os dados da conta Amazon do cliente, e qualquer um que se inscrever no Amazon Prime, o serviço de envio especial da companhia de custo anual de 79 dólares, terá acesso a mais de 12.000 (e aumentando) filmes e programas de TV no Fire sem custo extra.
 
Além disso, o entrevistador também destaca o fato de que Bezos enxerga o Fire mais como um "serviço de mídia" do que mais um mero dispositivo; um portal móvel avançado de acesso à nuvem da Amazon. Neste sentido, poderia-se dizer que o dispositivo seria algo como "secundário" em relação ao serviço de conteúdo na nuvem, da seguinte forma:

Esta é a forma como a Amazon sempre tratou o Kindle: novos modelos simplesmente oferecem maneiras melhores de se comprar e ler conteúdo. Trocar o hardware não é mais complicado ou emocionalmente impactante que trocar a bateria de uma lanterna. [...] O iPad enfatiza o download - os clientes que compram música, programas de TV ou filmes pelo iTunes devem fazer o download para suas máquinas. (Mesmo os usuários do seu novo serviço de iCloud devem fazer o download de suas músicas para ouvi-las - pelo menos por agora). [...] A Amazon, por outro lado, enfatiza o streaming. Os usuários do Fire podem armazenar até 20 gigabytes de música gratuitamente nos servidores da companhia (ou uma quantidade ilimitada comprada na Amazon). Eles podem fazer o stream disso livremente, juntamente com mais de 100.000 vídeos. Provavelmente esta é a razão pela qual o disco rígido do Kindle Fire vem com apenas 8 gigabytes, metade do tamanho do iPad de menor capacidade.
 
Steve Levy ainda traça distinções na maneira de se lidar com o sistema operacional:

A glória do iPad, assim como a do iPhone, é o seu sistema operacional; o iOS, sistema proprietário da Apple, é um dos principais pontos nas vendas, e a companhia adiciona regularmente novas características a ele [...] O Fire é feito em uma versão simplificada do sistema concorrente do Google, o Android OS. [...] Bezos parece acreditar que as pessoas deveriam se importar menos com o que o seu sistema operacional pode fazer e mais em fazer logo o stream do seu maldito filme.
 
Estou curioso para ver o feedback dos leitores à esta entrevista na próxima edição da Wired, mas de qualquer forma achei muito interessante a visão de negócio Jeff Bezos, fortemente voltada para serviços em nuvem e web services, que acredito ser a tendência tecnológica do momento.
De minha parte, não tenho vontade de comprar nem um iPad e nem um Kindle Fire, e no momento em que tiver que trocar o modelo que tenho por um novo, pretendo comprar algum que usa a tecnologia e-ink, que considero bem melhor para leitura.

[1] Empresa esta, aliás, que tem sido ultimamente minha principal fornecedora de extravagantes hardcover comic books collections, blu-rays e livros (ah, os livros!...), digitais ou não.

[2] E isso vicia, ô se vicia! :)

2 comentários:

Rodrigo Camargo disse...

Acho que você iria gostar de ler seus gibis digitais no iPad. Eu acho o máximo.

Cristiano Silva disse...

Deve ser legal mesmo. Mas considerando que gosto de ver filmes na TV ou no Cinema, que prefiro ler livros em papel ou no e-ink do Kindle, assim como prefiro dispositivos computacionais com teclado (pois gosto de escrever), então comprar um iPad, para mim, por agora, não atenderia as minhas necessidades. Preferiria muito mais um iPhone.

[]'s