De minha parte não tenho e nem nunca tive restrição alguma em comemorar o Natal. Mesmo sabendo que não há uma definição exata da verdadeira data do nascimento de Jesus, sendo que 25/Dez representa apenas uma espécie de convenção litúrgica utilizada pela igreja cristã, e ainda por cima baseada em uma festa pagã, acho saudável que os crentes tenham um dia especial para render louvores ao Senhor por enviar Seu Filho ao mundo, celebrando o nascimento do Rei dos Reis.
Acho apenas que cristãos sinceros em sua fé não precisam de um dia especial para lembrarem-se (ou tentarem se lembrar) de quem o Senhor Jesus Cristo é, e qual o significado de Seu nascimento. Carregamos isso todos os dias em nossa mente e coração.
Devido ao fato de 2011 ter sido um ano particularmente difícil para o meu lado, no que se refere especialmente à esfera profissional, com Deus trabalhando em minha vida por meio de um processo meio doloroso [1], devo confessar que a agenda atribulada de final de ano tirou um pouco o meu "clima de Natal", deixando-me apenas com uma única reflexão natalina na cabeça. Um pensamento baseado em uma frase dita em uma das (ótimas) pregações na igreja que frequento com a minha esposa, e que apesar de ser meio forte considero bastante correto. Um pensamento forte encerrando um "ano doido" (e como passou rápido!), que compartilho agora também aqui e que diz mais ou menos assim:
Se Jesus Cristo não fosse o único caminho para a Salvação do Homem, então Deus seria um verdadeiro crápula. Isso porque Ele teria enviado o Seu Único Filho à morte, para morrer em nosso lugar, desnecessariamente.
Deus não enviou o Seu Filho ao mundo, na Encarnação, assumindo também a natureza humana, porque Ele foi obrigado a fazê-lo. O Senhor o fez movido por amor e misericórdia diante de uma humanidade caída e morta espiritualmente (Ef. 2:1-3). Reflitam um pouco sobre isso: o próprio Criador do Universo (Jo. 1:1-3) assumindo também a forma de criatura, permanecendo Deus-Homem (perfeitamente Deus e perfeitamente Homem) para todo o sempre [2], de forma que por meio de Seu sofrimento, morte e ressurreição pudéssemos ser redimidos e salvos! Ele poderia perfeitamente não ter feito nada do que fez na História, e Ele continuaria sendo o Deus Justo e Santo que É, independente de nós. O nascimento de Cristo portanto é um verdadeiro presente para a Humanidade. Isso que é amor, prezados(as) leitores(as), e o resto é resto.
Diante disso, devemos remover estes "ídolos" que muitas vezes influenciam as nossas vidas e que tentam compartilhar (ou às vezes até mesmo tirar) a glória de Deus com outras propostas de "salvação" que não passam pelo único caminho que é Cristo, como se Ele não fosse nem suficiente e nem obrigatoriamente necessário para isso. E por "ídolos" me refiro a um problema encontrado até no meio evangélico [3], porque apesar de proclamarmos que a Salvação é pela Graça de Deus por meio da fé em Cristo e não por obras, o que é realmente verdadeiro e bíblico (Ef. 2:8,9), muitas vezes nos refugiamos na religião, no sentido de que achamos que por meio de nossas obras somos justificados e aceitos diante de Deus, quando na verdade o Evangelho não é isso.
Graças a Deus que a minha salvação não depende de mim, pobre humano caído, imperfeito e falho, e nem de falsos deuses que nos são oferecidos todos os dias, incluindo o falso deus "eu não sou pecador e me basto". Nossa Salvação é unicamente por meio de Cristo Jesus, o Servo Perfeito e Obediente, quem nos justifica e redime em termos de pessoa total. Toda glória seja dada ao Nome de Deus.
Em relação ao novo ano que se inicia dentro de alguns dias, afirmo que apesar de desejar dias melhores para o próximo ano não nutro ilusões quanto a isso, no seguinte sentido: não acredito que 1/Jan represente uma data mágica que faz os problemas irem embora, e tampouco sei se 2012 será melhor ou pior que 2011. O que me importa mesmo é saber que independente de dias bons ou maus o Senhor sempre estará comigo, me auxiliando em todas as coisas. Sejam nas situações boas ou ruins, peço a Deus que me faça amadurecer Nele, aumentando a minha fé.
Digo isso com a consciência de que em nenhum lugar da Bíblia o Senhor Jesus afirma que os cristãos não passariam em hipótese alguma por problemas; e sinto muito se alguém acredita nisso, mas é um grande equívoco. O que Ele disse é que seríamos enviados como cordeiros em meio de lobos (Mt. 10:16), que teríamos aflições (Jo. 16:33), mas que seríamos bem-aventurados por sermos perseguidos pela Justiça e pelo amor de Seu Nome (Mt. 5:10,11), sendo que Ele estaria conosco todos os dias (Mt. 28:20); Estevão, o primeiro mártir cristão morto a pedradas, que o diga (At. 7:55-60), juntamente com outros cristãos perseguidos e mortos na atualidade. Desta forma, a Bíblia ensina que devemos levar diante dele todas as nossas ansiedades; ela não fala que não as teríamos, mas diz que devemos evitá-las e lidar com elas, levando-as ao Senhor (Lc. 12:22, Fp. 4:6, 1 Pe. 5:7).
Acho que é mais fácil e comum pensar que crer em Cristo é sinônimo de "passaporte livre de problemas", especialmente se considerarmos a grande popularidade da doutrina escatológica dispensacionalista do Arrebatamento pré-tribulacionista, que afirma que os crentes não passarão pela Grande Tribulação antes da volta de Cristo [4]. Com todo respeito aos crentes sinceros que conheço e conheci e que adotam esta recente forma de interpretação, acho que ela acaba ensinando uma forma de escapismo, no sentido ruim da palavra, e que não condiz com as Escrituras, e nem com a realidade atual. Penso que o ensino bíblico é que diante de qualquer tipo de problema o cristão autêntico deve sempre depositar a sua confiança no Senhor, lembrando-se de Suas promessas, e não determinar o que Ele tem que fazer ou deixar de fazer.
Que o Natal de todos reflita o nascimento de Cristo Jesus em seus corações; que o Senhor esteja com todos no próximo ano.
[1] No entanto, dou graças a Ele por isso. Muitas vezes, o sofrimento é uma de Suas ferramentas para o nosso crescimento.
[2] E não apenas por 33 anos; mesmo que agora Cristo esteja glorificado, ainda permanece Deus e Homem.
[3] Porque, convenhamos, o nosso telhado também é de vidro: se os outros, enquanto grupo social religioso, tem problemas, nós também o temos.
[4] Ora, só faz sentido falar em termos de "atribulados" se existirem pessoas que se identificam com o problema, no caso, aqueles que sofrem por amarem a Cristo e negarem o Anticristo. Se pessoas assim não estiverem aqui, não há a quem atribular.
2 comentários:
Caríssimo Nerd Protestante!
Fico feliz de ter encontrado alguém que se defina assim. Também me considero um nerd protestante.
Ah, e excelente texto! Também escrevi sobre o Natal, numa postagem entitulada "O Papai Noel robô assassino, as religiões e o meu presente de Natal pra você":
http://calebante.blogspot.com/
Não se admire se nos próximos dias seu blog for invadido por inúmeros comentários meus. Repito: me identifiquei muito com seu blog!
Forte abraço e parabéns!
Obrigado pelos comentários, Calebe! O seu blog também é muito legal.
God bless.
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